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Dor no joelho: o que você precisa saber
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Joelho reúne ligamento, menisco, cartilagem e tendão — a fonte da dor define o tratamento. Quando entra fisioterapia, quando entra bloqueio, quando faz sentido cirurgia.
O joelho é uma articulação complexa e exigente. Côndilos femorais e tibiais, patela, ligamentos cruzados e colaterais, meniscos, cartilagem e tendões — qualquer uma dessas estruturas pode ser a origem da dor. O diagnóstico bem feito é o que diferencia conduta entre fisioterapia, bloqueio e cirurgia.
Como avaliamos
História detalhada — quando começou, o que melhora, o que piora, atividade que desencadeia, padrão inflamatório ou mecânico. Exame clínico testando cada estrutura. Imagem (raio-x, ultrassonografia, ressonância) entra para confirmar hipótese clínica, não para guiá-la desde o início.
Causas mais frequentes
Artrose (osteoartrose). Desgaste progressivo da cartilagem. Dor mecânica que piora com carga e melhora com repouso. Estalos, rigidez matinal curta, sensação de "areia" no movimento.
Tendinopatias. Tendinite patelar ("joelho de saltador"), tendinite da pata de ganso, tendinite do quadríceps. Dor focal, relacionada à atividade. Síndrome da banda iliotibial em corredores de longa distância.
Bursites. Pré-patelar, infrapatelar ou anserina. Dor com calor local e, às vezes, inchaço visível.
Lesões ligamentares e meniscais agudas. Quedas, impactos, movimentos bruscos — entorses, rupturas, fraturas.
Artrites inflamatórias. Artrite reumatoide, gota, pseudogota. Padrão inflamatório, rigidez matinal prolongada, frequentemente bilateral. Demanda investigação reumatológica em paralelo.
O plano
Não-medicamentoso (a base). Repouso relativo em lesão aguda, fortalecimento muscular ao redor do joelho, fisioterapia direcionada, controle de peso quando aplicável. Sem essa frente, o resto não sustenta.
Manejo medicamentoso racional. Anti-inflamatórios em dose mínima eficaz, com reavaliação programada. Em quadros crônicos, neuromoduladores e antidepressivos analgésicos podem entrar para reduzir sensibilização central. Sem opioides como primeira linha.
Bloqueios e infiltrações. Anti-inflamatórios em quadros inflamatórios agudos. Medicina regenerativa — ácido hialurônico, PRP, ortobiológicos (BMA, BMAC) — em casos selecionados de artrose e tendinopatia.
Bloqueio dos nervos geniculares. Os nervos geniculares conduzem a sensibilidade dolorosa do joelho. Um bloqueio anestésico desses nervos funciona como teste diagnóstico: se a dor diminui significativamente por algumas horas, é um sinal de que técnicas ablativas (radiofrequência ou crioablação dos geniculares) podem dar controle duradouro.
Radiofrequência e crioablação. Modulação ablativa dos nervos geniculares para dor crônica de artrose sem indicação imediata de prótese, ou em paciente com contraindicação cirúrgica.
Cirurgia. Artroscopia ou artroplastia em lesões estruturais graves ou artrose avançada sem resposta às demais frentes.
Quando procurar especialista
Dor que persiste por mais de três meses (já é dor crônica). Dor que limita atividades diárias ou interrompe sono. Dor com inchaço, vermelhidão, perda de força ou formigamento. Quanto mais cedo a investigação, mais opções dentro do plano não-cirúrgico — e maior a chance de preservar a articulação.
Texto revisado por Eduardo Castro — CRMMG 43.818, RQE em Anestesiologia. Currículo completo →
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