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Dor no ombro: sintomas, causas e tratamento

Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·

O ombro reúne tendão, bursa, articulação e cápsula — qualquer um pode ser a origem. A diferenciação clínica orienta o tratamento.

O ombro é a articulação mais móvel do corpo — e essa mobilidade tem preço. Tendão, bursa, cápsula e articulação são todos candidatos a serem a fonte da dor. Como costuma ser difícil apontar exatamente onde dói, o exame clínico cuidadoso é o que muda a conduta.

O que o paciente costuma sentir

  • Dor ao levantar o braço.
  • Rigidez ou perda de amplitude.
  • Calor ou inchaço sobre a articulação.
  • Piora à noite — dor que interrompe o sono.
  • Limitação em vestir, pentear, alcançar prateleiras.

Vale lembrar: existem lesões degenerativas e até rupturas tendíneas sem qualquer dor. Achado em exame não é o mesmo que diagnóstico.

As causas mais frequentes

Tendinopatias e tendinopatias do manguito rotador. Inflamação ou degeneração dos tendões do supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor — ou do tendão da cabeça longa do bíceps. Frequente em esportes de lançamento e em trabalho repetitivo.

Bursite. Inflamação da bursa subacromial. Dor anterior, piora ao pentear cabelo, vestir ou erguer o braço. Resposta boa a manejo combinado.

Lesão do manguito rotador. Rupturas parciais ou completas dos tendões — graus variados, com perda de força e dor noturna.

Capsulite adesiva ("ombro congelado"). A cápsula articular enrijece, limitando movimento. Comum em diabetes e após imobilização prolongada. Evolução em fases — pede plano de tempo longo.

Artrose do ombro. Desgaste articular crônico. Dor com estalos e sensação de "areia" durante o movimento.

Causas que não são do ombro. Dor irradiada da cervical e síndrome miofascial de pescoço e trapézio podem se manifestar no ombro. O exame clínico precisa investigar essas estruturas.

Como confirmamos a origem

História detalhada + exame clínico testando cada estrutura. Quando indicado, imagem entra para confirmar — não para guiar a clínica desde o início. Em dúvida persistente, um bloqueio anestésico dirigido pode definir a estrutura responsável antes do tratamento definitivo.

O plano

Reabilitação progressiva. Fisioterapia com foco em mobilidade, fortalecimento de manguito e estabilizadores escapulares — não em "aliviar a dor", em recuperar função.

Manejo medicamentoso racional. Anti-inflamatórios e analgésicos em dose mínima eficaz, com reavaliação programada.

Infiltrações e bloqueios. Anti-inflamatórios em bursa ou bainha tendínea quando há quadro inflamatório agudo. Medicina regenerativa (PRP, ortobiológicos) em casos selecionados de tendinopatia crônica.

Terapia por ondas de choque. Indicada em tendinopatias crônicas — melhora costuma aparecer a partir da terceira ou quarta sessão.

Radiofrequência. Para dor persistente sem resposta a medidas conservadoras, modulação do nervo articular é uma opção minimamente invasiva.

Cirurgia. Reservada a lesões estruturais graves ou casos que não respondem a manejo conservador. Minoria.

Quando procurar especialista

Dor que persiste por mais de algumas semanas mesmo com tratamento. Dor noturna que tira o sono. Perda de amplitude que limita o dia. Quanto mais cedo a investigação dirigida, mais opções dentro do plano não-cirúrgico.


Texto revisado por Eduardo Castro — CRMMG 43.818, RQE em Anestesiologia. Currículo completo →

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