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Artrose no joelho: como tratar

Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·

Artrose no joelho tem várias camadas de tratamento antes da prótese. O que entra primeiro, o que entra depois e quando faz sentido a cirurgia.

A artrose no joelho é uma das causas mais frequentes de dor crônica em adultos. A cartilagem que reveste a articulação se desgasta, e os ossos passam a friccionar diretamente — dor, rigidez e perda progressiva de função.

O ponto importante: existe uma cadeia de tratamentos entre o diagnóstico e a artroplastia. A pergunta no consultório não é "vou operar?". É "qual a próxima camada antes da cirurgia?".

A base do tratamento

Sem essa frente, nenhuma outra sustenta.

Fisioterapia direcionada. Fortalecimento de quadríceps, isquiotibiais e estabilizadores do quadril. Aumenta estabilidade da articulação e reduz carga sobre a cartilagem remanescente.

Controle de peso. Cada quilo a menos representa três a quatro quilos menos de carga sobre o joelho durante a marcha. Em paciente com sobrepeso, é a alavanca mais subestimada.

Manejo medicamentoso racional. Analgésicos e anti-inflamatórios em dose mínima eficaz, com reavaliação programada. Em dor crônica, neuromoduladores podem entrar para reduzir sensibilização central. Sem opioides como primeira linha.

Infiltrações

Quando a base não basta, ou em surto inflamatório, infiltrações dirigidas podem dar janela de função.

Anti-inflamatórios. Corticosteroides em quadros inflamatórios agudos — efeito rápido, uso pontual.

Viscossuplementação. Ácido hialurônico intra-articular para melhorar lubrificação e reduzir atrito. Indicado em artrose leve a moderada.

Medicina regenerativa. PRP (plasma rico em plaquetas) e ortobiológicos (BMA, BMAC) — em casos selecionados, estimulam reparo tecidual e modulam inflamação.

Bloqueios e procedimentos minimamente invasivos

Quando a dor persiste apesar da base e das infiltrações.

Bloqueio dos nervos geniculares. Os geniculares conduzem a sensibilidade dolorosa do joelho. Bloqueio anestésico desses nervos funciona como teste: se a dor diminui significativamente por algumas horas, é forte indicativo de que técnicas ablativas funcionarão.

Radiofrequência ou crioablação dos geniculares. Modulação ablativa dos nervos sensitivos articulares. Indicada em paciente com artrose avançada sem indicação imediata de prótese, ou em paciente com contraindicação cirúrgica. Efeito pode durar entre seis e doze meses.

Cirurgia

Reservada a artrose avançada com perda funcional importante e sem resposta às demais frentes. Artroplastia total bem indicada tem resultado excelente — mas é o último degrau, não o primeiro.

O plano é construído em consulta

Cada paciente tem grau de desgaste, perfil funcional e tolerância individuais. O caminho premium não é "todo mundo faz infiltração". É decidir, junto, qual a próxima camada com mais chance de devolver função no menor tempo — e sem queimar opções futuras.


Texto revisado por Carlos Trindade — CRMMG 45.568, RQE em Anestesiologia · CIPS/FIPP (Medicina Intervencionista da Dor). Currículo completo →

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