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Cefaleias: o que você precisa saber
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Cefaleia é o nome técnico da dor de cabeça — e enxaqueca é só um dos muitos tipos. A diferenciação clínica orienta o tratamento.
Existem mais de 150 tipos de cefaleia — e a confusão entre "dor de cabeça" e "enxaqueca" é frequente porque uma boa parte das pessoas trata todas como se fossem iguais. Não são. A diferenciação clínica é o que orienta o tratamento.
Primárias e secundárias
Cefaleias primárias são doenças por si — a dor é o evento. Cefaleias secundárias são sintoma de outra coisa: vascular (hemorragia, vasculite), infecciosa (meningite, gripe), oftalmológica, neoplásica. A maioria do que se vê no consultório é primária — mas é a investigação clínica que descarta o resto.
Tensional
A mais comum. Dor constante, de leve a moderada, em pressão, frequentemente em faixa ao redor da cabeça. Em geral não interrompe atividades. Na forma crônica, o impacto na qualidade de vida é grande — e o tratamento pede atenção, não tolerância.
Enxaqueca
Dor pulsante, geralmente unilateral, de intensidade média a alta. Costuma vir acompanhada de fotofobia, sensibilidade a som e cheiro, náuseas e piora com esforço físico. Crise média dura entre 4 e 72 horas.
O tratamento tem duas frentes: profilaxia (reduzir frequência e intensidade) e abordagem da crise (interromper o episódio). Combinar medicamentos, bloqueios, estimulação magnética e mudança de hábito é o que costuma mover o ponteiro em quadros refratários.
Cefaleia em salvas
Menos comum, mais intensa. Dor unilateral, em torno do olho, com duração de minutos a horas. Vem com olho avermelhado, lacrimejo e congestão nasal do lado da dor. Tratamento exige avaliação dirigida.
Cefaleia por abuso de analgésicos
Uso frequente de analgésicos para dor de cabeça pode, paradoxalmente, manter e intensificar a dor — o medicamento vira parte do problema. A saída envolve interromper o uso excessivo com suporte clínico e construir uma estratégia que não dependa do analgésico de fim de tarde.
Diagnóstico
Diagnóstico de cefaleia primária é clínico. Não aparece em exame de sangue nem em ressonância. Exames de imagem entram quando há sinal de alarme — não como rotina.
Sinais de alarme
- Início súbito ("a pior dor de cabeça da vida")
- Início após os 50 anos
- Padrão progressivo de piora
- Cefaleia em paciente com câncer, imunossupressão ou HIV
- Cefaleia com febre, rigidez de nuca ou rash
- Sinais neurológicos focais (alteração visual, fraqueza, convulsão)
Qualquer um desses pede avaliação imediata.
Quando procurar especialista em dor
Quando a cefaleia ganha frequência, intensidade ou muda de padrão. Quando o analgésico passou a ser parte da rotina. Quando o que era ocasional virou semanal — ou diário.
Texto revisado por Eduardo Castro — CRMMG 43.818, RQE em Anestesiologia. Currículo completo →
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
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