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Dor de cabeça

Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·

Cefaleia tensional, enxaqueca e neuralgia do trigêmeo — três quadros distintos com tratamentos distintos. Quando a dor de cabeça vira sinal pra investigar.

Dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns na clínica — e também um dos mais subdiagnosticados. Boa parte das pessoas tolera por anos sem nunca diferenciar tensional de enxaqueca, e sem reconhecer quando o quadro pede investigação.

Três cenários frequentes ilustram bem por que a diferenciação importa.

Cefaleia tensional

A mais prevalente. Dor bilateral, em pressão, de intensidade leve a moderada, em geral sem outros sintomas. Frequentemente associada a estresse, postura prolongada, sono insuficiente e tensão muscular cervical sustentada.

Não costuma impedir o dia, mas, na forma crônica, o impacto na qualidade de vida é grande — e o tratamento envolve mais do que analgésico de fim de tarde: reabilitação da cadeia cervical, manejo de estresse, ajuste de sono e, em casos selecionados, bloqueios de pontos-gatilho ou terapia por ondas de choque.

Enxaqueca

Dor pulsante, em geral unilateral, intensidade média a alta, frequentemente acompanhada de fotofobia, sensibilidade a sons e cheiros, náusea e piora com esforço. Crises duram de 4 a 72 horas. Algumas vêm precedidas de aura — distúrbio visual, formigamento ou outras sensações neurológicas.

Mais comum em mulheres. Tem componente genético. Tratamento tem duas frentes: profilaxia (reduzir frequência e intensidade) e abordagem da crise. Opções vão de medicação preventiva e anticorpos monoclonais a bloqueios anestésicos, toxina botulínica e estimulação magnética transcraniana.

Neuralgia do trigêmeo

Quadro distinto e específico. A dor não é "na cabeça" — é na face, em choque, intensa, geralmente unilateral, seguindo o trajeto do nervo trigêmeo. Os ramos (oftálmico, maxilar, mandibular) inervam partes distintas da face, então a dor costuma ter localização precisa.

Característica marcante: gatilhos inócuos (escovar dentes, alimentar, falar) desencadeiam crises de segundos a minutos. Tratamento começa por neuromoduladores. Quando há falha ou intolerância, entram opções intervencionistas — bloqueios e radiofrequência do gânglio de Gasser. Em quadros específicos, há indicação cirúrgica (descompressão microvascular).

Quando virar a página

Dor de cabeça ocasional, leve, que cede com analgésico simples e tem causa identificável (resfriado, jejum prolongado, noite ruim) — investigação não muda muito. Mas vale procurar avaliação quando:

  • A frequência aumenta (semanal, diária)
  • A intensidade aumenta com o tempo
  • O analgésico passou a ser parte da rotina
  • O padrão da dor mudou
  • Surgem sinais novos (alteração visual, fraqueza, febre, rigidez de nuca)

Esses são os pontos em que a investigação dirigida muda o desfecho. Mais sobre tipos, sinais de alarme e diagnóstico em Cefaleias: o que você precisa saber.


Texto revisado por Carlos Trindade — CRMMG 45.568, RQE em Anestesiologia · CIPS/FIPP (Medicina Intervencionista da Dor). Currículo completo →

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