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Dor abdominal
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Dor abdominal aguda exige investigação imediata. Dor abdominal crônica costuma ter origem visceral ou neuropática — e nem sempre é o que parece.
Dor abdominal tem duas faces muito diferentes. A aguda costuma ter causa identificável e exige decisão rápida — investigação imediata, frequentemente em pronto-socorro. A crônica é outra história: meses ou anos de dor, exames "normais", várias especialidades consultadas, e nenhuma resposta clara.
A medicina da dor entra principalmente na segunda — quando a investigação tradicional já foi feita e a dor segue.
Quando é emergência
Dor abdominal súbita, intensa, acompanhada de:
- Febre
- Vômito persistente
- Distensão abdominal
- Sangramento (digestivo ou ginecológico)
- Dor que piora rapidamente em poucas horas
- Rigidez do abdome ao toque
Esses são sinais que pedem avaliação em pronto-socorro, não consulta agendada. Investigação dirigida nessas situações pode ser definitiva — apendicite, colecistite, obstrução, perfuração têm tratamento que não espera.
Dor abdominal crônica
Quando a dor persiste por meses, com exames laboratoriais e de imagem normais ou inconclusivos, há um conjunto de origens menos óbvias que costumam responder a tratamento especializado em dor:
Dor visceral. Vísceras (intestino, fígado, pâncreas, órgãos pélvicos) doem de forma diferente de músculo ou pele. Costuma ser dor profunda, mal localizada, que pode irradiar para regiões distantes. Bloqueios de plexo (celíaco, hipogástrico) podem confirmar a origem e oferecer alívio duradouro.
Dor neuropática abdominal. Lesão ou irritação de nervos da parede abdominal — cutaneoabdominais — gera dor focal, em queimação, frequentemente confundida com origem visceral. Síndrome ACNES (anterior cutaneous nerve entrapment syndrome) é exemplo clássico. Bloqueio anestésico do nervo cutâneo confirma o diagnóstico e direciona tratamento (radiofrequência, neurólise química).
Dor pós-cirúrgica abdominal. Cicatriz, aderência, lesão de nervo durante cirurgia. Pode aparecer meses ou anos depois do procedimento.
Dor oncológica abdominal. Em câncer de pâncreas, fígado, gástrico ou de vias biliares, bloqueio de plexo celíaco é indicação consolidada — frequentemente reduz drasticamente a necessidade de opioide.
O plano
A investigação clínica define a origem. Quando há dúvida persistente, bloqueios diagnósticos guiados por imagem confirmam a estrutura responsável antes do tratamento definitivo. Manejo medicamentoso racional, mudança de hábito quando aplicável, e procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem compõem o plano — em geral em parceria com gastroenterologia, ginecologia ou oncologia, conforme o caso.
Quando procurar especialista em dor
Quando a dor abdominal persiste apesar de investigação gastroenterológica/ginecológica completa. Quando há padrão neuropático (queimação, choque, dor que piora ao toque superficial). Quando a dor é pós-cirúrgica e mantém-se meses após o procedimento. Quando há diagnóstico oncológico com dor mal controlada.
Texto revisado por Carlos Trindade — CRMMG 45.568, RQE em Anestesiologia · CIPS/FIPP (Medicina Intervencionista da Dor). Currículo completo →
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
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