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Dor do câncer
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Dor do câncer tem causas múltiplas — pela doença, pelo tratamento, pela sequela. O que pode entrar no plano além do opioide.
Dor oncológica acompanha boa parte dos pacientes em algum momento — pela doença, pelo tratamento ou pela sequela de ambos. É frequente, é tratável e, em muitos casos, é subtratada.
A medicina da dor entra como parceira da oncologia, não em substituição. O objetivo é devolver função, sono e dignidade durante o tratamento — e, quando indicado, reduzir a dependência do opioide oral para abrir espaço de qualidade de vida.
Origens da dor oncológica
Pela própria doença. Invasão tumoral em estruturas viscerais, ósseas ou nervosas. Costuma ter padrão progressivo.
Pelo tratamento. Mucosite, neuropatia induzida por quimioterapia, dor pós-cirúrgica (mastectomia, toracotomia), efeitos de radioterapia. Pode persistir após o fim do tratamento.
Pela sequela. Dor que se cronifica mesmo com a doença controlada — neuropatia residual, síndrome dolorosa pós-mastectomia, dor pós-radioterapia.
O que pode entrar no plano
Manejo medicamentoso racional. Não é só opioide. Combinar neuromoduladores, antidepressivos com ação analgésica, anti-inflamatórios e — quando há indicação — opioide em dose mínima eficaz, com saída programada quando o quadro permitir.
Bloqueios e radiofrequência. Bloqueio de plexo celíaco em dor abdominal por tumor pancreático ou hepático. Bloqueio de hipogástrico em dor pélvica oncológica. Bloqueio de gânglio ímpar em dor perineal. Em muitos casos, esses procedimentos reduzem ou eliminam a necessidade de opioide.
Neurólises. Em quadros selecionados, neurólise química do plexo responsável pela dor oferece controle duradouro.
Bombas de infusão intratecal. Para dor refratária, dispositivos que entregam analgésico diretamente no canal espinhal — doses menores, efeito maior, menos efeito sistêmico.
Estimulação magnética transcraniana. Em dor neuropática associada ao tratamento oncológico, modulação de circuitos centrais pode entrar no plano.
Quando procurar especialista
Dor oncológica que não está bem controlada com o esquema atual. Dor que limita atividades, interrompe sono ou exige doses crescentes de opioide. Sequela dolorosa após fim do tratamento. Trabalhamos em conjunto com a equipe de oncologia — não substituímos, somamos.
Texto revisado por Carlos Trindade — CRMMG 45.568, RQE em Anestesiologia · CIPS/FIPP (Medicina Intervencionista da Dor). Currículo completo →
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
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