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Diagnóstico das dores de coluna
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Lombar e cervical têm várias estruturas que podem doer — a diferenciação clínica orienta o tratamento. Quando faz sentido pedir ressonância e quando ela atrapalha.
Dor na coluna é uma das queixas mais frequentes em consultório de medicina da dor. Na maioria dos episódios há resolução com tratamento conservador, mas uma parcela importante evolui para a forma crônica — em que a investigação dirigida muda o plano.
A coluna reúne ligamentos, tendões, músculos, ossos, articulações e discos. Vários desses podem ser a fonte da dor, e o tratamento muda conforme a estrutura responsável.
Lombalgia
A lombar é a região mais comum. Classifica-se em aguda (até três semanas), subaguda e crônica (mais de três meses). O diagnóstico é essencialmente clínico — exame de imagem só entra de rotina diante de sinais de alerta: febre, perda de peso, déficit neurológico, idade acima de 50 anos ou trauma. Em quadro persistente por mais de quatro a seis semanas, ressonância, tomografia ou radiografia podem ser solicitados — sempre depois da clínica, não antes.
Cervicalgia
A coluna cervical é a segunda região mais envolvida. Postura prolongada em flexão, trabalho repetitivo, estresse ocupacional e traumas prévios são fatores frequentes. As estruturas que podem doer são as mesmas da lombar: músculo, disco, faceta, ligamento e dura-máter.
A leitura cuidadosa da ressonância
Ressonância mostra muita coisa. Mostra demais. Pacientes com degeneração discal ou alteração facetária podem ser completamente assintomáticos — e pacientes com ressonância "limpa" podem ter dor importante. O laudo não é o diagnóstico; é uma peça que precisa casar com a clínica.
Síndrome facetária
Em parte dos casos de lombalgia crônica, a fonte é a articulação facetária — a articulação entre os corpos vertebrais. Como toda articulação, ela tem cartilagem e cápsula e pode degenerar. Quando a clínica sugere, um bloqueio anestésico dirigido confirma a origem antes do tratamento definitivo (radiofrequência, em geral).
Como confirmamos a origem
Quando a clínica não fecha por si só, usamos bloqueios diagnósticos: anestesia local guiada por imagem na estrutura suspeita. Se a dor desaparece por algumas horas, confirmamos a origem — e só então decidimos o tratamento definitivo.
Hérnia de disco
A grande maioria das hérnias não exige cirurgia. Indicações cirúrgicas claras existem — hérnia volumosa com déficit neurológico progressivo, dor refratária a todas as alternativas conservadoras e minimamente invasivas — mas são minoria. Para os outros casos, há um conjunto de procedimentos guiados por imagem que combinam diagnóstico e tratamento (bloqueios, radiofrequência, descompressões mínimas) e dão tempo para que a hérnia seja reabsorvida pelo corpo enquanto o paciente recupera função.
Plano
O alívio da dor é o primeiro objetivo, mas não o único. Repouso prolongado piora — a mobilização precoce orientada por fisioterapeuta acelera a recuperação. Em casos crônicos, nenhuma intervenção isolada resolve: o plano combina mudança de hábito, reabilitação progressiva, manejo medicamentoso racional e — quando indicado — procedimento guiado por imagem.
Texto revisado por Eduardo Castro — CRMMG 43.818, RQE em Anestesiologia. Currículo completo →
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