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Neuralgia pós-herpética: por que a dor do herpes zóster persiste

Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·

As feridas do herpes zóster cicatrizaram, mas a dor continua. Entenda por que isso acontece e como confirmamos a neuralgia pós-herpética.

O herpes zóster — o popular cobreiro — costuma seguir um roteiro conhecido: aparecem dor e ardência numa faixa da pele, surgem as bolhas características, e com algumas semanas as lesões cicatrizam. Para a maioria das pessoas, a dor vai embora junto com as feridas. Mas para uma parcela, especialmente entre os mais velhos, acontece algo desconcertante: a pele sara, e a dor fica. Às vezes piora. Essa dor persistente tem nome — neuralgia pós-herpética — e é a complicação mais temida do zóster.

Quem a vive frequentemente não entende: "mas as feridas já cicatrizaram, por que ainda dói tanto?". A resposta está em compreender que o problema deixou de estar na pele e passou a estar no nervo. Este texto explica por que a dor do zóster persiste e como confirmamos a neuralgia pós-herpética.

Por que a dor persiste, na prática

O herpes zóster é causado pela reativação do vírus da catapora, que permanece adormecido nos gânglios nervosos por décadas após a infecção inicial na infância. Quando a imunidade cai — por idade, estresse, doenças —, o vírus pode reativar e percorrer um nervo até a pele, causando a erupção numa faixa que segue exatamente o território daquele nervo. Por isso o zóster aparece tipicamente em uma faixa de um lado só do corpo, sem cruzar a linha média.

O ponto crucial é que, ao percorrer o nervo, o vírus o danifica. As lesões de pele são a parte visível, mas o estrago no nervo é o que pode deixar sequela. Quando esse dano é significativo, o nervo lesionado continua gerando sinais de dor mesmo depois que a pele cicatrizou — uma dor neuropática clássica, em que o nervo virou a fonte da dor, não mais o mensageiro de uma lesão de pele. É a neuralgia pós-herpética.

Por isso a dor que persiste tem características de dor de nervo, bem diferentes da dor inicial: queimação constante, choques, ardência, e uma sensibilidade extrema ao toque na região — a alodínia, em que o simples roçar da roupa, do lençol ou de uma brisa provoca dor intensa, mesmo na pele já cicatrizada. Pode haver também coceira ou dormência que, paradoxalmente, dói. O risco de desenvolver essa complicação aumenta bastante com a idade, sendo incomum em jovens e mais frequente e mais persistente em idosos.

Como confirmamos o diagnóstico

O diagnóstico da neuralgia pós-herpética é clínico e, em geral, direto, porque a história conta a maior parte. Houve um episódio de herpes zóster naquela região? A dor persistiu (ou retornou) após a cicatrização das lesões? Ela tem as características neuropáticas — queimação, choque, sensibilidade ao toque — na mesma faixa onde estiveram as feridas? Esse encadeamento já estabelece o quadro na maioria dos casos.

No exame, observamos a região afetada: frequentemente há marcas ou alterações da pele onde estiveram as lesões, e mapeamos a área de dor e de sensibilidade alterada, que segue o território do nervo acometido. Testamos a resposta ao toque leve, confirmando a alodínia quando presente. O caráter neuropático e a correspondência com o território do zóster prévio compõem o diagnóstico.

Raramente são necessários exames complementares para confirmar a neuralgia pós-herpética em si, dado que a história é tão característica. A avaliação cuidadosa serve principalmente para definir a intensidade, o impacto na vida e o melhor plano de tratamento — e, quando indicado, para identificar o nervo ou a raiz acometida com vistas a um tratamento dirigido. Importa também o tempo: como na maioria das dores neuropáticas, quanto antes a neuralgia pós-herpética estabelecida é tratada, melhor tende a ser o controle, antes que a dor se entrincheire mais.

Quando procurar atendimento especializado

Quando a dor persiste após a cicatrização das lesões de um herpes zóster, com queimação, choques ou sensibilidade extrema ao toque na região afetada, vale uma avaliação dirigida — e quanto antes, melhor. No Instituto Trindade Castro, confirmamos a neuralgia pós-herpética, avaliamos o nervo acometido e definimos o tratamento que controla a dor de nervo, sabendo que o início precoce favorece o resultado.

Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.

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