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Dor no nervo ciático: causas e como confirmar o diagnóstico
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Nem toda dor que desce pela perna é nervo ciático. Entenda o que realmente causa a ciatalgia e como o diagnóstico é confirmado na prática.
A dor do nervo ciático tem uma assinatura difícil de confundir: ela nasce na lombar ou no glúteo e desce pela perna, às vezes até o pé, seguindo um trajeto que parece um fio puxado. Mas aqui já cabe a primeira correção: "ciático" raramente é a causa. É o sintoma. O nervo está sendo irritado em algum ponto do caminho, e o trabalho clínico é descobrir onde e por quê.
Na prática, o que vejo no consultório é gente tratando "o ciático" por meses sem nunca ter investigado a origem da compressão. Aliviar a dor sem saber o que aperta o nervo é apagar a luz do painel sem olhar o motor. Este texto explica o que de fato gera essa dor e como confirmamos o diagnóstico com precisão.
O que está acontecendo, na prática
O nervo ciático é o mais longo e calibroso do corpo. Ele se forma a partir de raízes que saem da coluna lombar (principalmente L4, L5 e S1) e percorre o glúteo e a parte posterior da coxa. Quando alguma dessas raízes ou o próprio nervo é comprimido ou inflamado, o sinal de dor é projetado ao longo de todo o trajeto — daí a dor que "desce".
As causas mais frequentes que investigamos:
A hérnia de disco lombar é a clássica. O disco que amortece duas vértebras se desloca e pressiona a raiz nervosa. Costuma dar dor que piora ao sentar, tossir ou fazer força.
A estenose do canal lombar — um estreitamento do espaço por onde os nervos passam, comum a partir dos 50 anos. A dor costuma piorar ao caminhar ou ficar muito tempo em pé, e alivia ao se inclinar para frente.
A síndrome do piriforme, em que um músculo profundo do glúteo comprime o nervo no caminho. Aqui a dor é mais glútea, sem necessariamente partir da coluna.
E há causas menos óbvias: alterações na articulação sacroilíaca, processos inflamatórios, e, raramente, sinais que exigem investigação imediata. A queimação, o formigamento e os choques apontam para o componente neuropático — o nervo gerando sinal por conta própria, não só transmitindo.
Como confirmamos o diagnóstico
O diagnóstico do ciático é, antes de tudo, clínico. A ressonância sozinha engana: muita gente tem hérnia na imagem e nenhuma dor, e o contrário também acontece. Por isso a consulta começa pela história e pelo exame físico dirigido.
No exame, testes específicos ajudam a localizar o problema. A manobra de Lasègue — elevar a perna estendida e reproduzir a dor — sugere irritação radicular. Avaliamos força, reflexos e sensibilidade em territórios precisos, porque cada raiz nervosa governa uma região do pé e da perna. Esse mapa diz qual nível da coluna está envolvido antes mesmo de qualquer imagem.
Quando a clínica e a imagem precisam ser correlacionadas, a ressonância entra para confirmar o que o exame já sugeriu — não para substituí-lo. Em casos selecionados, usamos a ultrassonografia point-of-care para avaliar o nervo ao longo do trajeto no glúteo e na coxa, algo que a ressonância de coluna não mostra bem. E quando há dúvida sobre qual estrutura é a real geradora da dor, um bloqueio diagnóstico guiado por imagem ajuda a responder: anestesiamos seletivamente um alvo e observamos a resposta. Se a dor cede, confirmamos a origem.
Essa lógica — confirmar antes de tratar — é o que evita meses de tratamento no alvo errado.
Quando procurar atendimento especializado
Quando a dor persiste apesar do repouso e da medicação inicial, quando ela acorda você à noite, ou quando aparecem sinais de alarme — fraqueza progressiva na perna, dormência na região genital ou perda de controle da bexiga ou intestino — a avaliação especializada deixa de ser opcional. No Instituto Trindade Castro, investigamos a origem exata da compressão com exame dirigido, imagem correlacionada e, quando necessário, bloqueios diagnósticos guiados, para definir qual estrutura está gerando a dor antes de propor qualquer tratamento.
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
A consulta aprofunda o que o artigo introduziu.



