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Hérnia de disco: quando a cirurgia é mesmo necessária
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
A maioria das hérnias de disco melhora sem cirurgia. Mas existem critérios claros que indicam quando operar deixa de ser opção e passa a ser necessidade.
Poucos diagnósticos geram tanto medo quanto "hérnia de disco". Na cabeça do paciente, a sequência costuma ser automática: hérnia significa cirurgia, cirurgia significa risco, risco significa nunca mais ser o mesmo. Esse roteiro é, na maioria dos casos, falso. A grande maioria das hérnias sintomáticas — falamos em torno de oito a nove em cada dez — melhora sem cirurgia, ao longo de semanas a poucos meses, com tratamento bem conduzido.
Mas o oposto também é verdade: existem cenários em que a cirurgia deixa de ser opção e passa a ser necessidade, e adiá-la nesses casos custa caro. Este texto separa os dois.
Quando a cirurgia é o caminho conservador
Sim, conservador. Soa contraditório, mas há situações em que esperar é o risco maior. Os critérios clássicos:
Síndrome da cauda equina. É uma compressão grave das raízes nervosas mais baixas da coluna, com sinais característicos: dormência na região genital ou na parte interna das coxas (a chamada "anestesia em sela"), alteração no controle da urina ou do intestino, fraqueza importante nas pernas. É uma das poucas urgências cirúrgicas reais da medicina da dor. Janela curta — falamos em horas a poucos dias.
Déficit neurológico progressivo. Quando a força em um músculo específico está caindo de forma rápida e visível — não é a dor que aumenta, é a força que some —, a janela para preservar a função do nervo encurta. Adiar nesses casos é arriscar sequela permanente.
Dor refratária a todo o arsenal conservador bem conduzido. Importante notar o "bem conduzido": não basta ter tentado um remédio e uma fisioterapia. É o quadro que persiste depois de meses de tratamento adequado, com bloqueios guiados e otimização farmacológica, ainda assim impedindo o paciente de viver sua vida.
Quando a cirurgia não é necessária — e os erros mais comuns
Fora dos cenários acima, a hérnia merece tempo e tratamento estruturado antes de qualquer sala. Os erros mais frequentes que vejo em pacientes que chegaram já operados, sem necessidade:
Operar achado de imagem em pessoa com pouca dor. Hérnia na ressonância em paciente que tem desconforto leve, sem irradiação clara e sem déficit neurológico, raramente justifica cirurgia. O tamanho da hérnia na imagem não decide — a clínica decide.
Operar antes de tentar bloqueio dirigido. Procedimentos guiados por imagem — bloqueios epidurais e transforaminais que entregam medicação anti-inflamatória exatamente sobre a raiz comprometida — resolvem ou aliviam de forma duradoura uma fração relevante das hérnias sintomáticas. Pular essa etapa é desperdiçar uma ferramenta com risco muito menor.
Operar na primeira crise. Hérnia aguda costuma melhorar com tratamento medicamentoso, repouso relativo curto e reabilitação. Indicar cirurgia em até quatro a seis semanas sem ter tentado o caminho conservador é, na maior parte das vezes, precipitação.
Como conduzimos no Instituto
No Instituto Trindade Castro, a discussão sobre cirurgia entra cedo na conversa — não porque vá ser necessária, mas para que o paciente saiba exatamente em que terreno está pisando. Avaliamos os critérios neurológicos a cada consulta e, fora deles, esgotamos o tratamento conservador com método: reabilitação, controle da dor, bloqueios guiados quando indicados. Quando a cirurgia se justifica, o encaminhamento ao cirurgião é direto e sem rodeios. Quando não se justifica, dizemos isso com a mesma clareza.
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
A consulta aprofunda o que o artigo introduziu.



