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Enxaqueca: o que é, suas fases e como se chega ao diagnóstico

Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·

Enxaqueca não é uma dor de cabeça forte qualquer, é uma doença neurológica. Entenda o que ela é, suas fases e como se chega ao diagnóstico.

Há um equívoco comum que diminui o sofrimento de milhões de pessoas: tratar enxaqueca como sinônimo de "dor de cabeça forte". Não é. A enxaqueca é uma doença neurológica, com mecanismos próprios no cérebro, e a dor é apenas uma de suas manifestações — frequentemente a mais marcante, mas acompanhada de um conjunto de sintomas que revela sua natureza muito mais complexa que a de uma cefaleia comum. Quem tem enxaqueca não tem "uma dor de cabeça chata"; tem uma condição que, nas crises, pode incapacitar.

Reconhecer a enxaqueca como a doença que ela é tem valor prático: muda a forma de tratá-la e legitima o impacto que ela causa. Quem precisa se recolher num quarto escuro, abandonar compromissos e perder dias de trabalho por causa das crises merece que sua condição seja levada a sério. Este texto explica o que é a enxaqueca, como ela se manifesta em fases, e como se chega ao diagnóstico.

O que é, na prática

A enxaqueca é uma condição neurológica em que o cérebro de quem a tem é mais sensível e reage de forma exagerada a determinados estímulos, desencadeando as crises. Não se trata de um problema "na cabeça" no sentido psicológico — é uma característica neurobiológica real, com forte componente genético (a enxaqueca costuma correr nas famílias). Entre as crises, a pessoa está bem; o que define a doença é a recorrência das crises e a predisposição do cérebro a elas.

A dor da enxaqueca tem características típicas: costuma ser de um lado da cabeça (embora possa ser dos dois), com caráter latejante ou pulsátil, de intensidade moderada a forte, e piora com a atividade física rotineira — subir escadas, abaixar-se. Mas o que mais a distingue de outras dores de cabeça é o cortejo de sintomas que a acompanha: náusea e por vezes vômito, e uma sensibilidade marcante à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), que leva a pessoa a buscar um ambiente escuro e silencioso. Pode haver também sensibilidade a cheiros e uma piora geral com qualquer estímulo.

Uma parte das pessoas tem enxaqueca com aura — sintomas neurológicos que precedem ou acompanham a dor, mais comumente visuais (pontos luminosos, linhas em zigue-zague, perda de parte do campo visual), mas que podem ser também sensoriais (formigamento) ou de fala. A aura costuma durar alguns minutos e se resolver, dando lugar à dor. Reconhecer a aura é importante, tanto para o diagnóstico quanto porque, como qualquer sintoma neurológico, ela merece avaliação na primeira vez que aparece, para distingui-la de outras causas.

As fases e como se chega ao diagnóstico

Uma característica que ajuda a entender e a manejar a enxaqueca é que a crise costuma evoluir em fases, embora nem todas estejam presentes em todas as pessoas. Pode haver uma fase premonitória, horas a um dia antes, com sinais sutis — mudança de humor, bocejos, desejo por certos alimentos, irritabilidade — que funcionam como avisos. Depois, em quem tem aura, a fase de aura. Em seguida, a fase de dor, o auge da crise. E, por fim, uma fase de resolução em que, mesmo passada a dor, a pessoa fica "ressacada", cansada e lenta por horas. Reconhecer essas fases ajuda a agir cedo, o que melhora o controle da crise.

O diagnóstico da enxaqueca é clínico — baseado na história e no padrão característico das crises, segundo critérios bem estabelecidos. Não existe um exame que "dê positivo" para enxaqueca; o diagnóstico se faz reconhecendo o quadro: crises recorrentes com as características típicas, o cortejo de sintomas, a recuperação entre elas. Um diário de crises ajuda muito a estabelecer o padrão e a identificar gatilhos.

Os exames de imagem do cérebro não são necessários na enxaqueca típica e bem caracterizada — entram quando há sinais de alarme, características atípicas, ou mudança no padrão habitual, para afastar outras causas. Esse ponto tranquiliza muitos pacientes: uma enxaqueca clássica não exige tomografia ou ressonância para ser diagnosticada, e exames normais não negam nem confirmam a enxaqueca, que se define pela clínica. A avaliação cuidadosa estabelece o diagnóstico e, importante, afasta os sinais que pediriam investigação adicional.

Quando procurar atendimento especializado

Quando você tem crises recorrentes de dor de cabeça intensa, latejante, com náusea e sensibilidade à luz e ao som, que o incapacitam ou o obrigam a parar, vale uma avaliação dirigida — especialmente se elas são frequentes ou estão piorando. No Instituto Trindade Castro, caracterizamos a enxaqueca pela história e pelo padrão das crises, afastamos o que precisa ser afastado, e definimos uma estratégia de tratamento das crises e de prevenção.

Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.

A consulta aprofunda o que o artigo introduziu.

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