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Infiltração, viscossuplementação e PRP na artrose: o que cada um faz
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Infiltração com corticoide, viscossuplementação e PRP têm indicações diferentes na artrose. Entenda quando cada uma faz sentido — e quando não.
Quando a artrose ultrapassa o que a base do tratamento — controle de peso, fortalecimento, ajuste de atividades — consegue controlar sozinha, três procedimentos costumam entrar na conversa: a infiltração com corticosteroide, a viscossuplementação com ácido hialurônico e o uso de ortobiológicos como o PRP. O paciente frequentemente chega ao consultório tendo ouvido falar dos três como se fossem a mesma coisa, ou como se um fosse simplesmente "melhor" que o outro. Não são, e não é.
Cada um tem mecanismo distinto, indicação própria, e momento certo de entrar. Escolher entre eles depende do estágio da artrose, da articulação afetada, da resposta a tentativas anteriores — e o resultado depende, sobretudo, da precisão técnica com que o procedimento é realizado.
Infiltração com corticosteroide — quando o anti-inflamatório precisa chegar onde o comprimido não chega
A infiltração com corticosteroide é o recurso mais conhecido e o mais ágil para uma artrose em crise. O princípio é simples: depositar dose alta de anti-inflamatório dentro da articulação, com a medicação atuando exatamente onde o problema está, sem precisar percorrer o organismo inteiro como um comprimido faz. O alívio costuma se instalar em alguns dias e se sustentar por semanas a poucos meses.
Funciona melhor em momentos de inflamação ativa — articulação inchada, quente, com dor que piorou em janela curta — e em pacientes em que ainda há tecido cartilaginoso preservado. O efeito não é o de "regenerar" cartilagem (nenhum dos três procedimentos faz isso); é o de interromper o ciclo inflamatório e abrir janela para a reabilitação avançar.
Tem limite: repetições muito frequentes da infiltração com corticosteroide na mesma articulação não são recomendadas — há receio razoável de que doses repetidas a curto intervalo possam acelerar o desgaste local. Por isso a infiltração não é estratégia de longo prazo isolada; é ferramenta pontual dentro de um plano mais amplo.
Viscossuplementação — quando o problema é a lubrificação articular
A viscossuplementação consiste em injetar ácido hialurônico — substância presente naturalmente no líquido sinovial da articulação saudável — em quantidades farmacológicas. O ácido hialurônico melhora a lubrificação e a amortização articular, e em parte dos pacientes reduz a dor e melhora a função por meses, com efeito que pode ser mais duradouro que o da infiltração isolada.
Indicada principalmente em artrose de joelho de leve a moderada, e em casos selecionados de quadril e ombro. Não funciona bem em artrose muito avançada, em que praticamente não há mais cartilagem — aqui a lubrificação melhor não compensa a falta de tecido. Também é menos útil em momentos de inflamação aguda; nesse cenário a infiltração com corticosteroide costuma ser o primeiro passo, e a viscossuplementação entra depois, em fase mais estabilizada.
O esquema clássico envolve uma ou mais aplicações ao longo de algumas semanas, dependendo do produto utilizado. Em pacientes certos, no momento certo, é o que faz a diferença entre um ano de função preservada e um ano de declínio.
PRP e ortobiológicos — fronteira em construção
O PRP — plasma rico em plaquetas — e outros ortobiológicos representam uma fronteira em construção na medicina da dor. A evidência para artrose é heterogênea: alguns estudos mostram benefício significativo, outros mostram efeito comparável a placebo, e o resultado parece depender da preparação utilizada, da articulação tratada e do estágio do desgaste.
Em pacientes selecionados — tipicamente artrose inicial a moderada, em pacientes ativos que querem postergar abordagens mais invasivas, ou em casos refratários aos recursos clássicos —, o PRP entra como camada adicional. Não é primeiro passo, e a expectativa precisa ser realista: não regenera articulação destruída, e a resposta varia entre indivíduos. Quando funciona, melhora a dor e a função por meses; quando não funciona, a próxima camada do tratamento entra em pauta.
Como decidimos no Instituto
No Instituto Trindade Castro, a escolha entre infiltração, viscossuplementação e ortobiológicos é orientada pelo estágio da artrose, pelo padrão de dor e função, e pela resposta às tentativas anteriores. Em todos os casos, o procedimento é guiado por imagem — ultrassonografia point-of-care na própria consulta — porque a precisão de chegar ao alvo correto é o que separa um procedimento que funciona de uma agulha aplicada perto do lugar certo. E sempre dentro de um plano maior: nenhum dos três substitui a base do tratamento, mas qualquer um deles, no momento certo, prolonga de forma significativa o que essa base consegue entregar sozinha.
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
A consulta aprofunda o que o artigo introduziu.



