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Artrose: quando a prótese se torna mesmo necessária
Dr. Carlos Trindade e Dr. Eduardo Castro ·
Prótese de joelho ou quadril resolve casos selecionados — não toda artrose. Saiba que critérios indicam o momento da cirurgia e o que ainda dá pra fazer antes.
A artrose avançada de joelho ou de quadril é uma das poucas situações em medicina da dor em que a cirurgia, quando indicada no momento certo, devolve qualidade de vida de forma transformadora. Próteses bem indicadas, bem feitas e seguidas de reabilitação adequada têm resultados consistentes. O problema é que a indicação cirúrgica para artrose nem sempre é precisa — operam-se prótese demais em pessoas que ainda tinham caminho conservador a percorrer, e operam-se prótese de menos em pessoas que já passaram do ponto em que ela faria diferença real.
Saber o que de fato indica a prótese — e o que ainda não indica — é o que evita os dois erros. Este texto explica os critérios.
Os critérios que tornam a prótese o caminho
A indicação de prótese articular não é um único fator, é uma combinação. Três condições costumam estar presentes quando o momento chegou.
Dor que limita o sono e o dia, apesar do tratamento bem conduzido. Não é a dor que aparece após esforço — é a dor que persiste, que tira o sono, que impede atividades básicas como caminhar uma distância curta ou subir escada, e que segue presente mesmo com a base do tratamento conservador instalada (peso, fortalecimento, ajuste de atividades) e com os recursos intermediários já tentados (infiltrações dirigidas, viscossuplementação quando indicada, radiofrequência em casos selecionados).
Comprometimento funcional importante. O paciente já reduziu a vida em torno da articulação — deixou de viajar, de visitar amigos no andar de cima, de participar de atividades que valoriza —, e a articulação está claramente travando essas escolhas. A questão deixa de ser "como controlar a dor" e passa a ser "como recuperar o que a vida deixou de ter".
Imagem compatível com desgaste avançado. Ressonância ou radiografia confirmam destruição cartilaginosa significativa, alterações articulares estruturais, perda de espaço articular relevante. Aqui a imagem reentra na conversa: depois de ter sido secundária ao longo do tratamento conservador, ela ganha peso na decisão cirúrgica.
Quando os três coincidem, e quando a saúde geral do paciente permite, a prótese tipicamente é o melhor caminho.
O que ainda dá pra fazer antes — e quando esperar é o erro
Fora desses três critérios, há quase sempre território conservador a explorar. Os erros mais comuns que vejo:
Indicar prótese pela imagem. Imagem que mostra desgaste em paciente cuja dor está controlada e cuja função está preservada não justifica cirurgia. A imagem informa, não decide.
Pular o tratamento intermediário. Pacientes que receberam fisioterapia genérica mas nunca uma infiltração guiada, nunca uma viscossuplementação bem indicada, nunca uma radiofrequência sobre os nervos sensitivos da articulação, ainda têm camadas a tentar.
Operar cedo demais por idade. Próteses têm vida útil, e operar muito cedo aumenta a chance de precisar de uma revisão cirúrgica anos depois — procedimento mais complexo que o original. Em pacientes mais jovens, vale o esforço de estender o conservador.
E há o outro lado: esperar demais. Quando o paciente já está há anos com dor que limita tudo, função muito comprometida, perda de massa muscular pela inatividade, a recuperação pós-cirúrgica é mais difícil e o resultado da prótese fica aquém do que seria se a cirurgia tivesse sido feita antes. O timing importa.
Como conduzimos no Instituto
No Instituto Trindade Castro, a conversa sobre prótese entra de forma transparente quando os critérios começam a se desenhar. Esgotamos o tratamento conservador com método, monitoramos a função e a dor de forma estruturada, e dialogamos diretamente com o ortopedista quando o momento da cirurgia chega — sem retardar quando ela é o caminho, sem precipitar quando ainda há terreno conservador a explorar. O objetivo é simples: que o paciente chegue à prótese quando ela realmente é a melhor escolha, não antes nem depois.
Conteúdo educativo. Para diagnóstico e conduta, agende uma avaliação.
A consulta aprofunda o que o artigo introduziu.



